“Dia desses, eu tentei te esquecer de vez. Juro. Mas ai percebi que matar você em mim é o mesmo que morrer e continuar vivendo, sabe? Passaria o resto dos meus dias como zumbi recheado de dor e entalado de lembranças do que nunca viveu. Então, não morra não. Não antes de eu dizer que te amo. Não antes de você dizer isso para mim, também. Ou que vai pensar no meu caso. Ou que vai me levar contigo. Ou que ficará aqui comigo. Sei lá. Não se vá – nem para o céu, nem para a Nova Guiné – sem me dar mais uns minutos de esperança, uns carinhos no queixo e um descanso em teu ombro.
“Teu coração diz ”sim”, sua cabeça diz ”não” e você diz ”não sei”.
“Cada um tem de mim exatamente o que cativou.
“Vou tentar. Vou procurar ser o mais transparente que puder com os indivíduos que conheço. Não vou cometer o erro de pronunciar “Sempre vou estar ao teu lado”. Só irei criar laços de amizade com objetos, onde eu possa manusear, que eu realmente seja dono. Hoje confio mais na minha escova de dente que guardei no copo do banheiro e amanhã ela vai estar lá, do que em “amigos” que guardei no coração e hoje está vazio.
“E você sabe, muito bem, que aquilo não vai acontecer. Mas mesmo assim, tem aquela coisinha chamada “esperança” que te faz não desistir.
“Copiei a frase numa agenda. E seja lá o que possa significar “ficar bem” dentro desse desconforto inseparável da condição, naquele momento justo e breve — fiquei bem.